Cartografia-ananse: 
Territórios do axé na Tríplice Fronteira

Cartography-Ananse: Axé territories in the Triple Frontier

Marina Aureo Galdino
Iyálorixá do Ile Axé e do Afoxé Oju Ogun Funmilayo

ORCID iD: https://orcid.org/0000-0002-7782-6850

Maurício dos Santos
Universidade Federal da Integração Latino-Americana

ORCID iD: https://orcid.org/0000-0002-7749-7604

Thiago de Azevedo Pinheiro Hoshino
Universidade Federal do Paraná

ORCID iD: https://orcid.org/0000-0003-3261-6726

DOI: https:/doi.org/10.48006/2358-0097-6203

Publicado em 10 de fevereiro de 2021
First published: 10 Feb 2021

Edição | Issue

v6, n1-2, 2020

Palavras-chave

Religiões afro-brasileiras, Ananse, Axé, Fronteiras, Espacialidades.

Resumo

O tema da fronteira, como metáfora, como aposta metodológica ou como problema não está ausente da literatura sobre as religiões afro-brasileiras. Não obstante, existe uma lacuna sensível entre o pensar fronteiras e o pensar fronteiriço, que assume a condição do front, da afronta e do afro como potência, fazendo da encruzilhada sua epistemologia. Trata-se, como o presente artigo propõe, a partir da dinâmica dos terreiros de Foz do Iguaçu/PR e dos movimentos do axé na Tríplice Fronteira, de uma vocação de caminhos do povo- de-santo e das agências que o atravessam e constituem. Nessa nomadologia, Anansi, a fiandeira de histórias e mundos dos ashanti, é a melhor das cartógrafas e boiadeiros, orixás, exus e caboclos ensinam que, como a aranha, viver no santo é fazer seu próprio lugar, vivendo do que se tece.

Keywords

Afro-Brazilian religions, Ananse, Borders, Axé, Spatialities.

Abstract

The border, as a metaphor, a methodological approach or an issue is not absent from the literature on Afro-Brazilian religions. Nevertheless, there is a sensitive gap between thinking about frontiers and a frontier-based thinking that assumes the condition of the front, the affront and the afro as potency, making the intersection [encruzilhada] its epistemology. It consists, as this article proposes, drawing on the dynamics of the terreiros in Foz do Iguaçu and the movements of axé in the Triple Frontier, of a vocation of paths of the povo-de-santo and the agencies that cross and constitute it. In this nomadology, Anansi, the spinner of stories and worlds of the ashanti, is the best of the cartographers, and the boiadeiros, orixás, exus, and caboclos teach that, like a spider, to “live in the saint” [viver no santo] means to make your own place, living from what you weave.

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