“O tapajós é o berço de onde nosso povo surgiu”: 
Notas etnográficas sobre a luta do povo Munduruku pela vida

“The Tapajós is the cradle from which our people has emerged”: Ethnographic notes on the Munduruku people’s struggle for life

Barbara do Nascimento Dias
Universidade de Brasília

ORCID iD: https://orcid.org/ 0000-0003-3327-9266

DOI: https:/doi.org/10.48006/2358-0097-6204

Publicado em 10 de fevereiro de 2021
First published: 10 Feb 2021

Edição | Issue

v6, n1-2, 2020

Palavras-chave

Munduruku; luta; território; invasões; Estado.

Resumo

Para o povo Munduruku, assim como para muitos ameríndios, o mundo – ou os mundos – é habitado por diversos seres humanos e não humanos. Relacionar-se com a floresta, com os rios e com o território como um todo também implica se relacionar com esses seres outros, pois são sujeitos que possuem agência que influencia no mundo dos “vivos”. A partir das narrativas Munduruku, é possível perceber como os projetos de desenvolvimento almejados pelo Estado brasileiro, articulados às invasões e à falta de fiscalizações e de proteção às terras e territórios indígenas, violentam suas vidas em seu cotidiano, desde a terra em que pisam até os diferentes mundos e seres que compõem sua cosmografia.

Keywords

Munduruku; Struggle; Territory; Invasions; State.

Abstract

For the Munduruku people, as for many Amerindians, the world – or the worlds – is inhabited by diverse human and nonhuman beings. To relate to the forest, to the rivers, and to the territory as a whole also implies relating to these other beings, for they are subjects who have agency that influences the world of the “living. From the Munduruku narratives, it is possible to see how the development projects desired by the Brazilian state, combined with the invasions and lack of inspections and protection of indigenous lands and territories, violate their lives in their daily lives, from the land on which they stand to the different worlds and beings that make up their cosmography.

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