“Como não confiam na gente e, ainda assim, entregam as chaves da nossa cela?”: 
Reflexões sobre autogestão prisional

“How can they not trust us, and yet they hand over the keys to our cell?” Reflections on prison self-management

Adeilson Luís Pinheiro Viana
Universidade Estadual do Maranhão

ORCID iD: https://orcid.org/0000-0002-6580-1277

DOI: https:/doi.org/10.48006/2358-0097-6206

Publicado em 10 de fevereiro de 2021
First published: 10 Feb 2021

Edição | Issue

v6, n1-2, 2020

Palavras-chave

Antropologia dos Agenciamentos Prisionais; APAC; Etnografia; Autogestão prisional.

Resumo

Este artigo resulta do projeto “Outra prisão é possível? Liberdade e confinamento na autogestão prisional”, pesquisa de iniciação científica desenvolvida entre 2019- 2020 na APAC (Associação de Proteção e Amparo aos Condenados), em São Luís. Mobilizo algumas reflexões acerca da autogestão prisional presente no método de execução penal da APAC. Este trabalho se baseia em queixas realizadas pelos recuperandos durante conversas espontâneas como parte da reflexão tecidas por eles. Ao ter suas funções pré-estabelecidas (no regimento) e estabelecidas (na unidade), o que Darke (2019) define como autogestão da unidade acaba por se caracterizar mais como uma espécie de “participação” na estrutura organizacional da unidade.P

Keywords

Anthropology of Prison Agencies; APAC; Ethnography; Prison Self-Management.

Abstract

This article results from the project “Another prison is possible? Freedom and confinement in prison self-management”, a research of scientific initiation developed between 2019- 2020 in the APAC (Association for Protection and Support to Convicts), in the city of São Luís. I develop some reflections on the practice of prison self-management common to the method of penal execution of the APAC. This paper draws on complaints made in the context of spontaneous conversations as part of the reflections woven by these rehabilitees. As their roles as pre-established (in the regiment) and established (in the unit), what Darke (2019) defines as unit self-management ends up being characterized rather as a kind of “participation” in the organizational structure of the unit.K

Referências / References

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