“A pílula nos castra!”: Narrativas sobre recusar o contraceptivo hormonal

“The pill castrates us!”: Narratives about refusing the hormonal contraceptive

Virgínia Squizani Rodrigues
Universidade Federal de Santa Catarina

ORCID iD: https://orcid.org/0000-0003-0997-0575

DOI: https:/doi.org/10.48006/2358-0097-6209

Publicado em 10 de fevereiro de 2021
First published: 10 Feb 2021

Edição | Issue

v6, n1-2, 2020

Palavras-chave

Antropologia; Narrativas; Pílula Anticoncepcional; Corpo; Saúde.

Resumo

Sessenta anos após a criação do medicamento que, supostamente, revolucionou a vida das mulheres, uma nova geração diz não à pílula anticoncepcional. O presente artigo é resultado de uma investigação antropológica realizada na cidade de Florianópolis, SC, no ano de 2019. Um dos objetivos da pesquisa foi entender quem eram essas mulheres e por que motivos estavam optando não mais utilizar o contraceptivo hormonal. Entre as narrativas coletadas foi possível verificar os seguintes argumentos: vontade de ser mais saudável e ter mais libido; medo de desenvolver alguma doença grave; desejo por conhecer a si mesma. Além da apreensão dos usos e desusos de um medicamento controverso como a pílula, o texto também perpassa noções de corpo, saúde e bem-estar.

Keywords

Anthropology; Narratives; Contraceptive pill; Body; Health.

Abstract

Sixty years after the creation of the drug that supposedly revolutionized women’s lives, a new generation says no to the contraceptive pill. This article is the result of an anthropological investigation carried out in the city of Florianópolis, SC, in 2019. One of the research’s objectives was to understand who were these women and why were they choosing not to use hormonal contraceptives anymore. Among the collected narratives it was possible to verify the following arguments: a desire to be healthier and to have more libido; fear of becoming ill; desire to know themselves. In addition to understanding the uses and disuses of a controversial drug such as the contraceptive pill, the text also permeates notions of body, health, and well-being.

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