Editorial

Vinicius Kauê Ferreira
Universidade Federal do Rio de Janeiro

Mariani Pisani
Universidade Federal do Tocantins

Estevão Rodrigues
Universidade Federal de Rondônia

Fazer avançar o debate antropológico nos tempos atuais é não somente um compromisso com o campo científico do qual fazemos parte, mas também com a sociedade brasileira e para além dela. E este é o papel dos periódicos científicos. Com este novo número, buscamos aportar nossa modesta contribuição ao desafio de manter vivo o espírito crítico e analítico da nossa disciplina frente aos desafios contemporâneos. Nesse sentido, além de levantar questões importantes em seus respectivos campos de estudo, os artigos publicados neste número são uma demonstração da vocação inovadora da antropologia.

As temáticas abordadas pelas contribuições deste número incluem relações de gênero, sexualidades, relações raciais, infância, cultura popular, memória, patrimônio, direitos indígenas, relações multiespécie e saúde. Apesar de diverso, este conjunto de artigos está ligado pela atenção que eles dedicam à um mundo em plena transformação. Em tempos de mudanças pouco promissoras, (crise, austeridade, cortes de investimento na ciência e fanatismo), uma antropologia qualificada e engajada ajuda-nos a visualizar futuros mais auspiciosos nos interstícios das vidas e práticas que estudamos. Se para alguns o termo sociedade tornou-se obsoleto, e outros anunciam o fim do mundo, o fato é que a antropologia continua central e viva na construção de seu futuro enquanto prática científica e ethos.

Continuamos engajados no projeto de retomada das atividades da revista, de restabelecimento de sua periodicidade, e agradecemos a contribuição de nossos autores para que isto se concretize. A foto de capa deste número, que retrata Zé Viado (ou Mainha) em seu café localizado no mercado público de Crato-CE, foi gentilmente cedida por Ribamar José de Oliveira Junior. Seu artigo abre este número e é um testemunho sensível da importância da antropologia para a restituição de vidas, locais e experiências que precisam ser narradas.

Desejamos a todas e todos uma ótima leitura.