Associação Brasileira de Antropologia

A- A A+

EDITORIAL

BEM VINDAS E BEM VINDOS A NOVOS DEBATES

 

 

Novos Debates é um novo espaço para novas ideias. Trata-se de um fórum online de publicações, promovido pela Associação Brasileira de Antropologia, voltado a pesquisadoras em formação, mas aberto também à participação de professores.

Pretende ser um fórum de divulgação ampla e de reflexão crítica sobre a produção antropológica contemporânea, através de modelos alternativos de contribuições. Novos Debates é a criação de um espaço dinâmico de diálogo, circulação de opiniões e embates necessários à formação das novas gerações em antropologia.

 

Novos formatos

Novos Debates pretende explorar novos modelos editoriais no universo de revistas do campo antropológico brasileiro. Ao propor seções com formatos próprios, investimos na construção de debates dinâmicos e colaborativos. Exemplo disso é a seção Fórum, uma espécie de seminário virtual, no qual pesquisadores aportam suas contribuições a uma questão lançada e, em seguida, os leitores são convidados a fazer avançar a discussão.

Consideramos que essa dinâmica difere significativamente do modelo de dossiê temático, dominante entre as revistas acadêmicas brasileiras, que, ao se estruturarem em chamadas de contribuições individuais, não criam as condições de um debate público entre pares. Com o passar dos números, novas seções comporão a publicação, tendo em vista que pretendemos experimentar novas formas de trocas intelectuais.

É preciso dizer que essa proposta se torna viável em razão do formato eletrônico de Novos Debates, outro aspecto importante desta revista. Não se trata de apenas migrar para o formato digital, mas sim de se apropriar ao máximo das possibilidades das plataformas virtuais. Desde o recurso a imagens e vídeos, até a construção de um diálogo em fluxo contínuo entre autoras e leitores. Não se trata de transpor o papel para o ecrã simplesmente, mas de experimentar o que pode significar essa conversão digital em termos de linguagem e de comunicação.

 

Novas linguagens

Novos Debates reconhece a importância da atualização da linguagem acadêmica; de uma atualização que esteja em consonância com o próprio projeto intelectual da antropologia enquanto imaginação do e sobre o mundo. Um projeto de diálogo, de abertura, de tentativa e de questionamento de seus próprios termos.

Por um lado, adotamos esse princípio, como já dito, no ato de nos apropriarmos de modo mais pleno da conversão ao virtual que se apresenta a nós. Novas mídias, novas conexões e novos ritmos. Por outro lado, nossa atenção à linguagem se reflete no uso de uma linguagem menos marcada pelos binarismos excludentes associados ao gênero. Aqui, feminino e masculino se intercalam. Optamos por essa estratégia porque outras alternativas (como o arroba ou o xis) representam uma barreira à acessibilidade de pessoas cegas ou com baixa visão que utilizam leitores de tela. É certo que se trata de um debate controverso, inconcluso; mas é ainda mais evidente que não podemos nos furtar dele. É tempo de reconhecermos que nossa linguagem, enquanto intelectuais, precisa ser repensada de modo coerente com os projetos de conhecimento que defendemos.

 

Novas abordagens

Novos Debates visa a emergência de novos campos de reflexão da antropologia. Com efeito, a expansão e a consolidação da antropologia se dá, desde seu início, pela sua investida em novos sítios de estudo, temáticas, metodologias e articulações disciplinares. Antropologia da ciência, antropologia da cidade, antropologia da globalização, antropologia da saúde, antropologia pós-social, não-humanos, redes sociais, estudos queer são alguns dos novos nichos da disciplina. E esperamos que esses se façam presente nas páginas de Novos Debates. Além disso, participamos de atualizações constantes para avançar algumas das áreas tradicionais, como a etnologia indígena, antropologia rural e do trabalho, entre outras.

Nesse sentido, é importante reconhecer o papel central das pesquisadoras em formação para a renovação do campo e das teorias de nossa área. É, em grande medida, nos projetos de pesquisa de estudantes em antropologia que reside o potencial renovador de toda disciplina. Assim sendo, Novos Debates acredita que a força de seu projeto de conhecimento está numa abertura ampla à participação de novas gerações de antropólogas; não apenas enquanto autoras na publicação de artigos, mas enquanto editoras, provocadoras e formuladoras de novas concepções de debate acadêmico.

 

Novas fronteiras

Novos Debates se inscreve, por um lado, num movimento internacional de concepção de novas revistas. Associado ao rearranjo dos trânsitos de teorias e acadêmicos de diversos países, há a criação de revistas eletrônicas de acesso livre visando a divulgação de antropologias ex-cêntricas, em outros centros e para estabelecer novas relações acadêmico-políticas entre seus pesquisadores. Certamente, algumas revistas brasileiras também já participam do processo de remodelação desses fluxos, como é o caso da revista Vibrant da ABA. A presente revista visa, portanto, avançar nesse sentido, estabelecendo diálogos com antropologias de outros contextos nacionais, ou mesmo transnacionais.

Além disso, Novos Debates vai buscar também em experiências editoriais de outros países a inspiração necessária à construção desses novos modelos. Portanto, esta publicação não se insere  apenas em movimentos recentes, mas também comparte de experiências já consolidadas por revistas pioneiras em países como a Índia, os Estados Unidos e a França. Ao se inspirar em publicações tradicionais desses países (mais ou menos cêntricos), buscamos uma síntese produtiva e crítica entre o contemporâneo, o tradicional no campo das publicações em antropologia.

 

Vinicius Kauê Ferreira
Editor de Novos Debates