Associação Brasileira de Antropologia

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Opinião

 

Em Opinião, publicamos textos críticos sobre temas em voga no debate antropológico e público atual. Recebemos textos sobre tópicos como a questão indígena e quilombola, direitos sexuais, manifestações políticas, formação em antropologia e expansão do sistema universitário, além de reflexões teóricas pertinentes à atualização do debate antropológico.

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Mulheres, futebol e o “Padrão FIFA”


 

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 Treinos no Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa (COTP), em São Paulo. Créditos: Mariane Pisani.

 

Mariane da Silva Pisani
Doutoranda em Antropologia
Universidade de São Paulo

  

No início de 2013, inúmeras manifestações sociais eclodiram pelo país mostrando o descontentamento da população com os altos investimentos realizados para a organização da Copa do Mundo que será sediada no Brasil em 2014. “O povo exige escolas, hospitais, estradas, segurança pública, saneamento e moradia no ‘Padrão FIFA’”. Essa e outras mensagens eram encontradas nos cartazes e faixas expostos pelos manifestantes durante as passeatas nas grandes capitais brasileiras. Na qualidade de grande entusiasta do futebol, sobretudo do Futebol Feminino, confesso que por vezes senti-me incomodada com tais dizeres. Dessa forma, mais do que apontar a Copa do Mundo como vilã usurpadora dos investimentos financeiros públicos, acredito ser importante refletir como as atletas, especificamente as jogadoras de futebol brasileiras, posicionaram-se a respeito desses protestos. 

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Estratégias de redefinição do Estado no contexto de reconhecimento das Terras de Quilombo no Brasil


 

Estratégias de redefinição do Estado no contexto de reconhecimento das Terras de Quilombo no Brasil

Quilombo da Lapinha (MG). Créditos: Elisa Cotta (PPGA/UFF)

 

Eliane Cantarino O’Dwyer
Professora  de Antropologia
Universidade Federal Fluminense

 

O objetivo deste texto é apresentar algumas reflexões e pontos de vista construídos a partir do papel que a disciplina antropologia tem desempenhado no campo da aplicação dos direitos territoriais às comunidades de quilombo, segundo a Constituição Federal de 1988[1]. 

No contexto dos debates sobre a aplicação do artigo 68 do ADCT, alguns deles travados no Congresso Nacional, e em diálogo com o Ministério Público Federal, a ABA, como associação científica, tem se manifestado a partir das posições disciplinares da antropologia e de um saber experiencial dos pesquisadores que a integram. Tais tomadas de posição têm questionado a utilização de formas de identificação e classificação estranhas aos próprios atores sociais, baseadas em critérios “historiográficos”, “arqueológicos”, “raciais” e/ou “culturais”, em busca do “sentido” considerado “correto”, “válido” e “verdadeiro”. Ao contrário, os antropólogos têm insistido na compreensão dos novos significados que o uso de termos, como “remanescentes de quilombos”, adquire nas ações sociais orientadas pela existência do dispositivo constitucional. 

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