Associação Brasileira de Antropologia

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AS SITUAÇÕES-LIMITE E SEUS DESDOBRAMENTOS SOBRE AS VIDAS
DAS MULHERES QUE LUTARAM CONTRA A DITADURA NO BRASIL

 

 

Lívia de Barros Salgado

Mestranda em Ciências Sociais
Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro
Bolsista CAPES

 

O período entre 1964 e 1985 foi marcado pela violência estatal e cerceamento da liberdade da população brasileira. O cenário era de opressão e perseguição aos opositores, resultando em centros de torturas clandestinos e da prática de “desaparecimentos forçados”. O Ato Institucional nº 5, em 1968, intensificou ainda mais o caráter ditatorial do regime, e o governo passou a ter plenos poderes para cassar mandatos, suspender direitos políticos e o habeas corpus em crimes contra a segurança nacional, além de outras medidas. Nesse contexto foi generalizado o uso da tortura e outros desmandos, tudo em nome da “segurança nacional”. 

 Apesar da violência estatal, o período também se caracterizou por importantes focos de resistência. Esse cenário possibilitou uma maior participação feminina nas questões políticas do país. É importante destacar que as mulheres que se envolveram na luta política eram consideradas duplamente desviantes. Além de perseguição sofrida por serem contra a ordem vigente, o apoio à revolução era, para os padrões da época, uma forma de negar a própria condição feminina, ou negar determinado modelo de feminilidade, ligado à vocação da mulher para o lar e para a maternidade (Cordeiro, 2008).

Em função da violência que sofreram, as mulheres tiveram que conviver e se adaptar a diferentes condições de vida. Essa experiência, a qual Gati Pietrocolla (1996) denominou de viver entre parênteses, retira o sujeito do seu ambiente, corta suas ligações com seu mundo e afetos originais. A partir de então, surgem novas formas de se perceber. À luz dessa questão, o objetivo desta pesquisa[i] é perceber como a entrada na clandestinidade e a tortura afetaramo indivíduo[ii] e a identidade[iii] da militante, sobretudo em função da sua condição de gênero. Para tanto, serão analisadas entrevista e depoimentos [iv] obtidos por meio de trabalho de campo no Grupo Tortura Nunca Mais (GTNM) e na Comissão Estadual da Verdade (CEV), ambos do Rio de Janeiro[v].

 

As situações-limites

Tortura

Cecília[vi] menciona, em seu depoimento, a dificuldade de falar do período em que teve sua vida afetada pelo regime. Segundo a mesma, falar dos três meses em que esteve presa é falar de uma viagem ao inferno, marcada por sentimentos de desamparo, solidão, medo, pânico e desespero. Para ela, o objetivo da tortura não era fazer falar, mas calar através da dor, da humilhação e degradação do indivíduo.

Além disso, Cecília menciona que a tortura destinada à mulher era “violentamente machista”, marcada por palavras ofensivas ditas de forma agressiva e violenta, com objetivo de anular a mulher que se encontrava naquela situação. Exemplo disso está presente na fala do então diretor do Dops, que a intimidava aos berros: “Fale, sua puta comunista, com quantos você trepou?”. Fica evidente, desse modo, o lugar da mulher subversiva na relação de poder com o torturador. Colocar-se contra ao sistema de relação de gênero vigente fazia com que a mulher fosse considerada “puta” e, por isso, tinha sua tortura diretamente relacionada ao fato de ser mulher.

Outro aspecto mencionado por Cecília foi o fato de ter sido forçada a assistir seu companheiro ser torturado, o que considerou pior do que a própria tortura que sofreu. Tal situação pode ser compreendida dentro do que Goffman chamou de mortificação do eu. Segundo o autor, nas instituições totais podem "haver ocasiões em que um indivíduo testemunha um ataque físico a alguém com quem tem ligações, e sofre a mortificação permanente de nada ter feito (e os outros saberem que nada fez)" (Goffman, 1996: p. 38). Assim, o indivíduo sofre não só pelo ataque direto, mas também quando vê seus companheiros sendo torturados, sem ter o que fazer diante da situação.

Ao relatar sua experiência, Lúcia[vii] ressalta que as lembranças são confusas, pois se manifestam em sua memória sem continuidade. Além disso, ela menciona que a descrição da tortura que sofreu jamais seria compatível com o que ocorreu, pois se trata de um “horror indescritível”. Em diferentes momentos, afirma que foi a pior coisa que viveu. Desse modo, deixa clara a fragilidade da pessoa diante da tortura, que, segundo ela, era um método de aniquilamento progressivo, que nunca parecia ter fim.

A partir da fala de Lúcia, é possível pensar no que Butler (2010) chama de “vidas precárias”. Para a autora, uma vida concreta não pode ser danificada ou perdida sem antes ter sido considerada como vida. Se certas vidas não são qualificadas enquanto tais, não serão consideradas vividas ou perdidas no sentido absoluto da palavra. Entendendo a vida das militantes a partir dessa perspectiva, a existência delas poderia ser desprezada pelo regime e, portanto, passível de todas as práticas de torturas e atrocidades.

Outras questões que contribuíam para o desequilíbrio individual das militantes eram a perda da noção do tempo e a ausência de uma rotina. A esse respeito, Dulce[viii] comenta em seu depoimento que, quando ficou sozinha na cela achava que enlouqueceria. Então, inventou duas atividades para passar o tempo: “eu contava ladrilhos do chão e fazia tranças com as palhas retiradas dos colchões.” Segundo Goffman, o tempo perdido na prisão justifica a prática de atividades de distração, capazes de fazer o internado esquecer um pouco da sua situação. Nesse sentido, a criação de atividades “pode ajudar o indivíduo a suportar a tensão psicológica usualmente criada pelos ataques ao eu.” (Goffman, 1996: p. 66).

           

Clandestinidade

Victória[ix] afirma em entrevista que, apesar de não ter sido presa, viveu uma situação-limite enquanto esteve clandestina. Victória revelou ter entrado na clandestinidade em 1964 e saído somente 1980 após a Lei de Anistia. Logo de início, tirou uma nova documentação, passando a se chamar Tereza. A clandestinidade, de acordo com Elizabeth Ferreira (1996), é uma experiência difícil, principalmente em relação ao peso cultural que o nome do indivíduo tem. Como defendeu Bourdieu (2006), o nome próprio transmite a identidade de seu portador e é uma apresentação oficial dele mesmo. Dessa forma, a interferência no nome é o mesmo que interferir no indivíduo “elementar”, proposto por Dumont (1992).

Victória comenta ter vivido uma situação particular em relação às amizades. Ela diz que na clandestinidade não tinha amigas, quem as tinha era a Tereza. Contudo, começou a desenvolver uma amizade muito forte com Ana [x]. Quando estava em situação de risco, Victória/Tereza deixava seu filho na casa dela para que tomasse conta, “eu comprometi a vida dela e dos filhos dela, sem ela saber.” Depois de algum tempo, começou a dar indícios de que vivia algo muito particular, para que quando Ana soubesse não levasse um choque.

Assim que saiu a Anistia, Victória/Tereza precisou tirar uma nova carteira de identidade para voltar a ser Victória. Feito isso, foi contar para Ana sua história. Enquanto Ana dirigia, Victória explicou sua história a ela, que perguntou seu verdadeiro nome. Victória, porém, não conseguiu dizer: “eu não conseguia dizer meu nome. Não saia. (...) Aí quando chegou na porta de casa, eu abri minha bolsa, tirei minha carteira de identidade e mostrei pra ela”. Tal fato evidencia a dificuldade que Victória tinha de se reconhecer como tal, já que havia passado 16 anos sendo Tereza.

A ditadura fez com que ela tivesse que abrir mão da sua vida. Porém, Victória afirma que faria tudo de novo, pois a militância lhe deu uma história. Dessa forma, sua vida “não foi em vão”. A partir do exposto, é possível inferir que sua vida se confunde com a militância. A mesma afirma que a militância a mantém viva: “Eu não posso parar. Enquanto eu puder lutar, né... e vai ser até o dia que eu morrer. Ou vou ficar numa cama se eu não puder sair de casa, mas assim mesmo se eu ainda puder falar e escrever, eu escrevo e falo.” Além disso, argumenta como se sua militância fizesse parte de sua “essência”, na medida em que afirma “Tá em mim. Eu sou filha de mãe e pai comunista, né?”

 

Considerações finais

As condições da experiência nas situações-limite não eliminam os arranjos sociais negociados pelas militantes, porém os reproduzem de outra forma em outro nível de realidade, dando novo significado à vida social. Uma nova conjuntura foi apresentada a elas, exigindo adaptação à nova situação. Há uma reorganização de sua relação com o espaço, com o tempo, além de um novo código social.

Ao analisar a condição humana no viver entre parênteses, é possível perceber nas entrevistas a forma como suas identidades foram reconfiguradas pela ditadura. Na medida em que a tortura violava seus corpos femininos, dava a elas a condição de objeto e interferia em sua capacidade de sobrevivência, essas mulheres tinham a sua condição de indivíduo autônomo afetada pelo regime. Do mesmo modo, a clandestinidade também colocava as militantes em uma nova situação, na medida em que elas construíam para si novas formas de existir, uma nova identidade, e precisavam aprender a lidar com um novo “eu”.

 

Bibliografia

BOURDIEU, Pierre. 2006. “A ilusão biográfica”. In: Janaína Amado; Marieta de Moraes Ferreira (orgs.). Usos e abusos da história oral. Rio de Janeiro: Editora FGV.

_____. 2010. “A representação política: elementos para uma teoria do campo político”. In: O poder simbólico. 14ª Ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2010.

BUTLER, Judith. 2010. Marcos de guerra: lãs vidas lloradas. Buenos Aires: Paidós, 2010.

CORDEIRO, Janaina Martins. 2008. “A nação que se salvou a si mesma”. Entre memória e história, a Campanha da Mulher pela democracia (1962 - 1974). Dissertação de mestrado. Universidade Federal Fluminense.

DUMONT, Louis. 1992. Homo Hierarchicus: O sistema das castas e suas implicações. São Paulo: EDUSP.

FERREIRA, Elizabeth Fernandes Xavier. 1996. Mulheres, militância e memória. Rio de Janeiro: Editora Fundação Getúlio Vargas.

GATI PIETROCOLLA, Luci. 1996. “Anos 60/70: do sonho revolucionário ao amargo retorno”. Tempo Social: Rev. Sociol. USP, São Paulo, 8(2): 119-145, outubro.

GOFFMAN, Erving. 1996. Manicômios, prisões e conventos. São Paulo: Perspectiva.

MAUSS, Marcel. 2003. “Uma categoria do espírito humano: a noção de pessoa, a de ‘eu’”. In: Sociologia e antropologia. São Paulo: Cosac & Naify.

 

 

Lívia de Barros Salgado

Mestranda em Ciências Sociais
Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro
Bolsista CAPES

 

 

[i] O presente trabalho faz parte da pesquisa, ainda em andamento, pelo PPGCS - UFRRJ. O texto apresentando é um recorte da pesquisa, cujo objetivo é apreender como homens e mulheres, que viveram durante a ditadura militar, concebem a violência sofrida. Intenciona-se comparar as narrativas a respeito da violência a fim de perceber em que medida os padrões de gênero conduzem formas de pensar e sentir os eventos.

[ii] O indivíduo é entendido, no presente trabalho, a partir da perspectiva de Dumont (1992), e, portanto, diz respeito ao indivíduo “elementar”, indivisível, tanto no sentido biológico como enquanto sujeito pensante.

[iii] É preciso considerar que identidade é uma categoria construída, na medida em que esse conceito assumiu diferentes sentidos nas diferentes sociedade, com bases em seus diferentes costumes e mentalidades. A partir do trabalho de Mauss (2003), considero a identidade como uma forma singular, uma individualidade específica, resultado dessa construção.  Ela está relacionada à consciência e ao caráter pensante do ser humano. Assim, a identidade é entendida como uma forma fundamental do pensamento e da ação.

[iv] Embora muitos trabalhos não utilizem o nome verdadeiro dos entrevistados, optei por utilizá-los. Quando entrevistei Victória Grabois, presidente do GTNM-RJ, a mesma autorizou a utilização de seu nome. Destaco que, em razão do lugar ocupado por ela, é necessário que seu nome esteja vinculado a suas falas, pois atribui ainda mais legitimidade ao que é dito. Seu nome, portanto, é dotado do que Bourdieu (2010) chama de capital simbólico. Além disso, no caso de Cecília, Lúcia e Dulce, uma vez que seu depoimentos foram dados em público, também optei por usar seus nomes verdadeiros.

[v] O GTNM/RJ foi fundado em 1985 por iniciativa de ex-presos políticos que viveram situações de tortura durante o regime militar e por familiares de mortos e desaparecidos políticos e, desde então, tornou-se uma referência importante no cenário nacional. No que se refere a Comissão da Verdade, existem muitas espalhadas pelo país, tanto a nível nacional como nos demais Estados. Porém, meu enfoque é dado sobre a CEV-Rio, criada em 2012, a partir da Lei nº 6335. A Comissão visa esclarecer as circunstâncias das violações de direitos humanos, elucidar os casos de torturas, mortes, desaparecimentos forçados, ocultação de cadáveres e sua autoria; além de outras medidas.

[vi] Cecília Coimbra é vice-presidente e uma das fundadoras do GTNM-RJ. Esteve presa de agosto a novembro, de 1970. Cecília forneceu seu depoimento por escrito às Comissões da Verdade, Estadual e Nacional, e o mesmo foi disponibilizado a mim pelo GTNM.

[vii] Lúcia Murat é cineasta e foi presa no Congresso estudantil, em Ibiúna, em outubro de 1968. Seu depoimento encontra-se disponível em http://atarde.uol.com.br/politica/materias/1506981-depoimento-de-lucia-murat-a-comissao-da-verdade-do-rio .

[viii] Dulce Paldolfi é historiadora e foi presa quando ainda estava na universidade, em agosto de 1970. Depoimento disponível em http://racismoambiental.net.br/2013/05/integra-do-depoimento-da-historiadora-dulce-pandolfi-a-comissao-estadual-da-verdade-do-rio-de-janeiro/

[ix] Victória Grabois é a atual presidente do Grupo Tortura Nunca Mais, e esteve clandestina durante quase todo o regime militar. Com a mesma, pude realizar entrevista pessoalmente.

[x] Nesse caso, optou-se por utilizar um nome fictício, na medida em que ela foi citada na entrevista de Victória.

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Eduardo Alfredo Morais Guimarães

Professor assistente da Universidade do Estado da Bahia
Doutorando em Estudos Étnicos e Africanos
Universidade Federal da Bahia
Bolsista FAPESB

 

 

As ideias aqui desenvolvidas são fruto das primeiras reflexões sobre a Comunidade Quilombola de Empata Viagem, localizada no Município de Marau, Região Sul da Bahia. Como outras comunidades localizadas na região[i], Empata Viagem alcançou notoriedade em decorrência da qualidade da farinha de mandioca produzida artesanalmente e, sobretudo, do domínio das técnicas de plantio do cacau sob a floresta raleada.

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FEIRA KRAHÔ DE SEMENTES TRADICIONAIS: cosmologia, história e ritual no contexto de um projeto de segurança alimentar

 

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Júlio César Borges

Doutor em Antropologia Social
Universidade de Brasília
Consultor do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento

 

 

Pra não acabar a história e a festa, tem que estar sempre fazendo, porque vai passando para os outros mais novos aprender a realizar. Para não acabar a festa. Porque essa história, desde não sei quantos mil anos atrás, faz parte dos Krahô. Através dessa festa é que mostramos que somos Me)hĩ – temos outras cantigas, outra forma de nos organizar. Isso tudo é que chama Me)hĩ, Krahô. A festa movimenta as músicas, as danças, as crenças. Por isso é que Me)hĩ tem isso. Porque se não tiver isso, não é Me)hĩ. Isso que mostra nossa identidade. É tudo isso. É a festa que faz fortalecer, tanto nas músicas [cantos] quanto no esporte [corrida de toras].

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Créditos: Luciano Lobão

 

 

Alessandra Caroline Ghiorzi

Graduanda em Ciências Sociais
Universidade Federal do Mato Grosso

 

Flávio Luiz Tarnovski

Professor do Departamento de Antropologia
Universidade Federal do Mato Grosso

 

 

Expressar o desejo por uma pessoa do mesmo sexo, vivendo em uma sociedade heteronormativa (Butler, 2003), é um desafio que confronta parte das pessoas nos dias atuais. Entre outras dificuldades, muitos sujeitos enfrentam o processo de se “revelar” perante a família de origem, o que pode se apresentar de forma dramática, devido aos significados negativos associados à homossexualidade.

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afirmações e representações no pleito à adoção movido por gays e lésbicas

 

 

Ricardo Andrade Coitinho Filho

Mestre em Ciências Sociais
Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro

 

 

Introdução

O presente trabalho aponta como gays e lésbicas, ao pleitearem a adoção, procuram evidenciar, para a equipe técnica da Vara da Infância, da Juventude e do Idoso, que podem fazer um bom exercício da parentalidade. Em seu pleito, estes são identificados como "homoafetivos[i]". O objeto de análise foram processos e habilitações em adoção movidos no Rio de Janeiro. A questão central era compreender a forma com que gays e lésbicas têm sido tratados quando optam por compor uma família através do projeto filiativo da adoção[ii].

 

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HOMOSSEXUALIDADE INDÍGENA NO BRASIL

 

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desafios de uma pesquisa

 

 

Ilustração de Theodor de Bry (1528-1598). 

 

 

Estevão Rafael Fernandes

Professor da Universidade Federal de Rondônia

Doutorando em Estudos Comparados sobre as Américas

Universidade de Brasília

 

 

 

Este texto busca levantar alguns dos questionamentos que tenho elaborado desde que escolhi como tema de pesquisa o ativismo homossexual indígena no Brasil a partir de uma perspectiva comparada com os Estados Unidos. Na verdade, tratam estas reflexões justamente do que eu não tenho encontrado na literatura e como, a partir disso, minhas preocupações analíticas vêm tomando corpo.  

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Lívia de Barros Salgado

Mestranda em Ciências Sociais
Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro
Bolsista CAPES

 

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VMDL: Breves considerações sobre rolezinho, narrativas de classe, redes e a cidade

 

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Louise Scoz Pasteur de Faria

Doutoranda em Antropologia Social – Bolsa CNPq
Universidade Federal do Rio Grande do Sul

 

Moisés Kopper

Doutorando em Antropologia Social – Bolsa CNPq
Universidade Federal do Rio Grande do Sul

 

Domingo, 23 de março de 2014. Um evento criado no site de rede social Facebook anunciava, para essa data, o Rolezinho no Shopping Praia de Belas[ii]. Localizado entre a região central e sul da cidade de Porto Alegre, é ponto de convergência do constante fluxo de veículos que partem de ambas zonas urbanas e transeuntes que circulam na pista da Usina do Gasômetro, desenhada ao longo de parte do Rio Guaíba, e no Parque Marinha do Brasil que compreende uma área de pouco mais de 70 hectares ao lado do empreendimento. A expectativa era grande. A página indicava cerca de 1,2 mil presenças confirmadas desde o dia 16 de março, quando a proposta havia sido lançada, que se concentrariam nas dependências do shopping a partir da uma hora da tarde sem hora para acabar. 

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