Associação Brasileira de Antropologia

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from Novos Debates on Vimeo.

 

 

Gustavo Anderson

Graduando em Ciências Sociais
Universidade Federal do Paraná

 

Luana Maria de Souza

Graduando em Ciências Sociais
Universidade Federal do Paraná

 

Mariana Zarpellon

Graduando em Ciências Sociais
Universidade Federal do Paraná

 

O documentário "Fala de Mim" adota a perspectiva compartilhada de filmagem, uma vez que o direcionamento desta produção prioriza a voz de um dos interlocutores da experiência etnográfica: a de Patrick, carrinheiro há mais de vinte anos que, junto com sua companheira Silvana, residem em uma construção abandonada em Curitiba. Ao fazer uma leitura rápida e sagaz dos estudantes nesse contexto de negociações (sempre presente na alteridade), Patrick os percebe como agentes políticos fundamentais para concretizar o intento de reformar seu carrinho de coleta, instrumento necessário para sua atividade. Neste sentido, ele insiste para que o grupo grave e envie um vídeo com seu depoimento para um programa televisivo, de modo a intermediar sua participação em uma campanha beneficente. Com sucesso, a equipe de reportagem do programa vai ao prédio abandonado para tornar pública a situação desses moradores. A narrativa do filme contempla todo o processo mentalizado por Patrick: desde o período de idealização do pedido até seu desfecho, captando, respectivamente, sua expectativa sobre o trabalho dos estudantes em campo e a sua reação a partir dos resultados obtidos por este".


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comentário

 

UM FILME PRA SE FALAR

  

Carlos Fausto

Professor de Antropologia
PPGAS-Museu Nacional
Universidade Federal do Rio de Janeiro

 

O que faz de um filme “feito pra faculdade” sobre um carrinheiro vivendo em um prédio abandonado em Curitiba, um filme notável? Esta é a pergunta que me fiz ao assistir “Fala de Mim”. Certamente, não é a sua perfeição técnica. “Fala de mim” é um filme sujo – no bom sentido da palavra. A câmera é irriquieta, varre a cena, procura, se perde, retorna; as imagens são cheias de ruído, pixeladas, de foco incerto; os enquadramentos são bizarros, as cabeças são cortadas, o torso e as mãos ocupam o primeiro plano do quadro. Nem sempre isso parece ser de propósito – em parte creio que é amadorismo mesmo – mas funciona e funciona bem. Afinal, o mundo de Wanderlô Patrick de Souza Rodrigues, de sua mulher e de seu cão é assim mesmo – um mundo desprovido e excessivo, generoso e mesquinho, inquieto e servil. Wanderlô, como ele mesmo se define, “é um carrinheiro [… que] tava num prédio abandonado, invadiu, tem uma casinha dele, a casinha dele é elegante, tem tudo dentro, tem forno de microondas, tem bujão de gás, tem geladeira, tem o que comer, tem um cachorro, anda sempre com um dinheirinho no bolso”.

Wanderlô é um dos principais motivos de o filme ter uma pegada própria. Em 15 segundos, ele já está dirigindo a cena. Mariana – também personagem, também diretora – vacila ao explicar ao carrinheiro sobre o que o filme é (“sobre… se quiser, se não quiser a gente não…”), mas Wanderlô não vacila: o filme é sobre ele e sobre a sua necessidade de conseguir um carrinho novo por meio de um programa de TV, comandado por um deputado radialista. A partir daí, a sua fala afirmativa e articulada passa a dominar a paisagem auditiva enquanto a câmera varre a sua “casinha elegante”. A trama se define neste instante, quando o mundo de Wanderlô se cruza com o mundo da TV por intermédio do dispositivo “filme”. 

Se Wanderlô é um achado, ele não é o único. A presença de Mariana dá uma textura dialógica particular à fita. Deslizando entre a condição de entrevistadora e de personagem, ela vai tecendo a trama do filme e sendo tecida por ela. O contraponto de Wanderlô é a sua mulher, desgrenhada e servil, a quem, à certa altura, a equipe oferece a câmera, gerando uma nova dinâmica. A cena adiciona mais um nexo relacional, forjado, como todos os demais, por meio de um aparato técnico: a própria câmera. Talvez seja este o ingrediente fundamental que faz de “Fala de Mim” um ótimo filme: em cena vão se construindo relações nas quais jamais sabemos quem dirige e quem é dirigido. As interações tem sempre um grau de incerteza e estranheza, uma indecidibilidade que não permite juízos de valor. “Fala de Mim” é um experimento em uma zona de risco, uma exposição à relação e, por isso só, é profundamente etnográfico.

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Composições


 

from Novos Debates on Vimeo.

 

 

Gustavo Anderson

Graduando em Ciências Sociais
Universidade Federal do Paraná

 

Luana Maria de Souza

Graduando em Ciências Sociais
Universidade Federal do Paraná

 

Mariana Zarpellon

Graduando em Ciências Sociais
Universidade Federal do Paraná

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Nian Pissolati

Mestre em Antropologia
Universidade Federal de Minas Gerais

 

Patrick Arley

Doutorando em Antropologia
Universidade Federal de Minas Gerais
Bolsista FAPEMIG

 

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Jenniffer Simpson
dos Santos

Doutoranda em Sociologia
Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra
Bolsista CAPES

 

 

 

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FEITURA DE SANTO

uma narrativa artística e foto-etnográfica de uma iniciação no candomblé

 

 

 



Larissa Yelena Carvalho Fontes

Mestranda em Antropologia
Universidade Federal da Bahia
Bolsista CAPES




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NARRADORES URBANOS: ANTONIO A. ARANTES


 

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Marize Schons

Graduanda em Ciências Sociais
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Bolsista FAPERGS

 

Cornelia Eckert

Professora de Antropologia
Universidade Federal do Rio Grande do Sul


Ana Luiza Carvalho da Rocha

Professora de Antropologia
Universidade Federal do Rio Grande do Sul

 

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SABERES E SABORES DA COLÔNIA – SCHMIER DE MELANCIA DE PORCO
 

 

 

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Maurício Schneider

Mestrando em Antropologia
Universidade Federal de Pelotas
Bolsista CAPES

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Fabricio Barreto 
Fuchs

Pesquisador do Núcleo de Antropologia Visual
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
 

 

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