“O CERTO PELO CERTO E 
O ERRADO SERÁ COBRADO”

Imagens das quebradas de Natal-RN



Natália Firmino Amarante
Universidade Federal do Rio Grande do Norte


Durante a escrita da etnografia acerca da facção Sindicato do Crime do RN desenvolvida no Mestrado em Antropologia Social da UFRN, utilizei a câmera fotográfica enquanto recurso metodológico para escrever e retratar a vivência dentro do crime. Enquanto realizava entrevistas com membros do grupo Sindicato do Crime do RN nas comunidades periféricas – quebradas – da Grande Natal (Rio Grande do Norte) procurei registrar imagens do cotidiano do crime.

A aproximação desse mundo através da imagem é importante para que se observe como são as práticas cotidianas e fazeres no cenário, a maneira como as pessoas experimentam suas vidas e como se representam. Ainda que a câmera possa ser vista com certa desconfiança considerando que o registro de certas práticas pode servir como provas para agentes do Estado – como a polícia – para criminalizar as pessoas representadas, busquei artifícios para não identifica-las para que não sofressem represálias. Assim, a partir de relações de confiança com meus interlocutores tive o consentimento para o registro da imagem de suas vivências cotidianas.

Nesse percurso, criei uma proximidade interessante com meu campo, pois eu informava meus interlocutores da opção em usar a câmera para retratar cenas do crime e eles interferiam nessas escolhas. Montavam cenas, escolhiam a maneira como seriam fotografados. Em certos momentos pegavam eles mesmos a câmera e fotografavam. Depois, um de meus interlocutores criou gosto por fotografar, passou a registrar cenas do seu cotidiano em seu bairro, mandando diariamente fotos de becos, vielas, dos prédios, do mar. Por fim, a fotografia se expande para além da pesquisa, suscita reflexões sobre o uso das imagens pelas pessoas representadas, potencializa um olhar para si mesmo, pois aquele que é fotografado pode também fotografar e passar a representar sua visão do mundo através de imagens.

1. De um lado os prédios, do outro um barraco. As luzes da segregação contrastam homens compartilhando uma garrafa de cachaça.

2. A quebrada vista de cima.

3. Criança correndo no “Beco da Caveira”.

4. Pichação em um muro na periferia da Grande Natal com a frase “Cabueta na favela vai pro saco”. Assinado pela facção Sindicato do Crime do RN.

5. 1814 – Pichação com a numeração que representa a facção Sindicato do Crime do RN.

6. Tráfico de drogas – Pessoa comercializando crack.


7. O “2” simbolizado no gesto do integrante do Sindicato do Crime do RN representa a conexão do grupo local com o Comando Vermelho. O “tudo 2” indica as duas siglas “CV” do grupo carioca.

8. “O bagulho é doido” – a rotina da noite.

9. Integrante do Sindicato do Crime do RN segurando arma.