Terra prometida
uma caravana internacional como poder estético e exercício etnográfico
DOI:
https://doi.org/10.48006/2358-0097/V11N2.E112016Resumo
Uma partida de futebol não se resume aos noventa minutos sob o apito do árbitro. Muito do jogo acontece pelas estradas. Nelas, o caminho pulsa: leva sonhos, suor e esperança - muitas vezes frustrada, mas não dessa vez. Este ensaio visual traz bastidores de uma caravana que enfrentou cem horas de estrada, do Rio a Buenos Aires, entre 27/11 e 2/12 de 2024, para acompanhar in loco a final da Libertadores entre Botafogo e Atlético-MG. Para muitos, uma caravana é a única oportunidade de conhecer outras cidades, atravessar fronteiras, acompanhar seu time - e, mais do que nunca, de ver o título tão sonhado. O ônibus não é só transporte: é quarto, cozinha, sala de estar. Torna-se espaço de convivência, afetos, desafios e descobertas. Cada parada, cada encontro e interação com outros torcedores fortalece uma rede de solidariedade e tece histórias que vão além do jogo. Captadas com câmera digital, as fotos aqui apresentadas permanecem sem tratamento para manter a autenticidade do mo(vi)mento registrado. Neste ensaio proponho um olhar sensível para essa jornada: as dificuldades que moldam, os afetos que unem, a alegria que transborda. A conquista da América, definitivamente gloriosa, quase se torna coadjuvante diante do caminho. Busco, ainda, tensionar convenções que orientam o julgamento estético da imagem e provocar reflexões sobre critérios que definem o que é considerado uma “boa” fotografia. Interessa-me problematizar quem detém autoridade para estabelecer tais parâmetros, quais regimes de visibilidade legitimam determinadas formas de olhar (e o que olhar) e quais sensibilidades são excluídas ou minimizadas nesse processo. Ao explorar imagens que oscilam entre o borrado, o improvisado e o inesperado, questiono a própria ideia de beleza como valor universal e estável, afirmando-a como construção situada, atravessada por disputas de interpretação. A proposta, ancorada em uma perspectiva antropológica, é deslocar o espectador do conforto técnico e convidá-lo a perceber a potência etnográfica que emerge justamente das fissuras - nos gestos, na luz imperfeita, na vibração do movimento - onde outras formas de ver e de sentir podem, por fim, se anunciar.
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