O ofício de uma antropóloga é contar histórias?

Carta para minha mãe (sobre família, memória, Antropologia e acervo)

Autores

DOI:

https://doi.org/10.48006/2358-0097/V11N2.E112001

Resumo

Esta carta apresenta o ofício da antropóloga como uma prática de contar histórias, entrelaçando memória familiar, acervo e a própria história disciplinar da antropologia. Ao escrever para a mãe, a autora revisita sua formação, seus arquivos íntimos e o papel das mulheres de sua família como primeiras mestras. O texto situa a escrita etnográfica no cruzamento entre o doméstico e o acadêmico, defendendo a centralidade dos acervos familiares na produção de conhecimento. Dialoga com intelectuais como Ella Deloria, Zora Neale Hurston e W. E. B. Du Bois para reinscrever outras linhagens possíveis da antropologia e da etnografia. Propõe, assim, uma antropologia feita a partir de casa, sempre atenta e responsável às histórias que a constituem.

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Publicado

11.02.2026

Como Citar

Damásio, A. C. (2026). O ofício de uma antropóloga é contar histórias? Carta para minha mãe (sobre família, memória, Antropologia e acervo). Novos Debates, 11(2). https://doi.org/10.48006/2358-0097/V11N2.E112001

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