O menino, o choro e o racismo

Pensar o caso Luighi através do currículo de masculinidade dos estádios de futebol

Autores

  • Gustavo Andrada Bandeira

DOI:

https://doi.org/10.48006/2358-0097/V12N1.E121005

Resumo

O atacante Luighi, atleta em formação do Palmeiras, foi vítima de racismo em competição sub-20 organizada pela Conmebol, no Paraguai, em 2025. Ao final da partida, durante sua entrevista, o jogador, aos prantos, indagou o repórter se ele não perguntaria sobre o episódio de violência que ele sofrera durante o jogo. O repórter lhe perguntou apenas sobre a partida ignorando o episódio. A manifestação de Luighi acabou gerando uma série de questionamentos contra a Conmebol por diferentes atores envolvidos no futebol brasileiro. A presidenta do Palmeiras, Leila Pereira, e o então presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ednaldo Rodrigues, fizeram fortes cobranças sobre punições para a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol). Outra repercussão a partir do episódio apareceu na manifestação do ex-jogador Carlos Gamarra. Gamarra naturalizou a violência sofrida pelo jogador do Palmeiras e afirmou que as novas gerações estariam muito sensíveis. Para este trabalho, pretendo discutir, a partir do currículo de masculinidade dos estádios de futebol, como são expostas as normativas sobre as violências toleráveis ou intoleráveis nesse contexto cultural específico e de que forma o futebol trabalha na hierarquização das masculinidades desse contexto. O objetivo é ensaiar o quanto diferentes manifestações contra a violência, dentre as quais o racismo, acabam por colocar em questão as masculinidades normativas presentes no universo futebolístico. Para algumas das discursividades presentes neste ambiente, o choro do atleta pode ser mais transgressor que a ofensa racial da qual ele foi vítima.

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Publicado

25.08.2026

Como Citar

Andrada Bandeira, G. (2026). O menino, o choro e o racismo: Pensar o caso Luighi através do currículo de masculinidade dos estádios de futebol. Novos Debates, 12(1). https://doi.org/10.48006/2358-0097/V12N1.E121005

Edição

Seção

I Fórum