Associação Brasileira de Antropologia

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VELHOS HORIZONTES, NUEVAS MIRADAS

 

 

Andrea Ciacchi

Professor do Instituto Latino-Americano de Arte, Cultura e História
Universidade Federal da Integração Latino-Americana

 

 

Na introdução de um plano de disciplina (“Seminário Avançado em Teoria I”), para o PPGAS da UnB, em 2008, o prof. Gustavo Lins Ribeiro escrevia que “a antropologia brasileira necessita ampliar seus debates teóricos, meodológicos e políticos com diferentes perspectivas latino-americanas uma vez que somos parte dessa região do mundo”. O duplo ponto de vista dessa afirmação estava situado no reconhecimento de que na América Latina existem “dois debates dos mais elaborados”: as discussões sobre decolonialidad del poder e sobre interculturalidad. Por isso, então, o outro lado desse ponto de vista situava-se na posição mais ampla desse nosso colega, que, pelo menos desde meados dos anos dois mil, busca compreender e nos ajuda a enxergar “las antropologías del mundo” ou as “world anthropologies” (Ribeiro, 2005).

Sabe-se, também, que um dos pais nobres da antropologia brasileira havia buscado ampliar os seus pontos de vista e os seus horizontes desde, pelo menos, 1990, quando, na UNICAMP, idealizara e organizara o “Seminário sobre Estilos de Antropologia”. Quinze anos antes dos primeiros artigos de Ribeiro, Roberto Cardoso de Oliveira convocara um grupo de antropólogos para discutir “resultados de pesquisa e possibilidades de encetar novas na área da história e da etnografia da disciplina” (Cardoso de Oliveira, 1995: 7). Nessa reunião, Leonardo Fígoli abordara “a antropologia na Argentina e a construção da nação”, enquanto Hebe Vessuri, professora argentina radicada na Venezuela, que tem se dedicado a estudos de história da ciência e da tecnologia, no meio de uma discussão teórico-metodológica sobre estilos nacionais de antropologia, dedicou a sua atenção a alguns aspectos da antropologia venezuelana.

Fígoli (antropólogo argentino ativo na UFMG desde 2006), entretanto, depois da sua tese de doutorado, dedicada ao campo antropológico da Argentina, sob a orientação de Cardoso de Oliveira, não se dedicou mais a esses temas nem orientou trabalhos nessa perpectiva. O próprio Lins Ribeiro, que nunca deixou de se dedicar a essas questões, tampouco formou pesquisadores que tenham se dedicado ao estudo das antropologias na América Latina.

Vistas assim as coisas, e mesmo reconhecendo a limitação desses poucos (porém significativos) exemplos, pareceríamos obrigados a endossar e a parafrasear o velho lugar comum: a antropologia brasileira estaria “de costas” para a América Latina, ou melhor, de costas para a antropologia praticada na América Latina.

Mas, com um paradoxo anatômico-institucional: de costas e de braços abertos. Uma rápida e assistemática busca pela Plataforma Lattes, em janeiro de 2015, permitiu registrar 85 pessoas que, nascidas em outros países da América Latina, realizaram ou realizam estudos de Antropologia no Brasil (de graduação ou pós-graduação, incluindo estágios de pós-doutorado) e/ou trabalharam ou trabalham em instituições brasileiras de ensino superior, lecionando disciplinas de Antropologia. Dessas, 37 são argentinas, 18 colombianas, 11 uruguaias, 5 venezuelanas. México e Chile estão representados com quatro colegas cada, e Suriname, Cuba, Ecuador, Paraguai, Panamá e Bolívia, com um cada[1]. Uma etapa successiva de uma busca desse tipo (além de permitir dados mais completos e confiáveis) poderia, no contexto de um projeto de pesquisa com mais fôlego, verificar os temas principais de interesse desses colegas. E, também, em contexto mais amplo ainda, valeria registrar a presença de antropólogos brasileiros desenvolvendo atividades de ensino e pesquisa em outros países da América Latina. Tudo isso, é claro, não está nem de longe ao alcance deste pequeno e despretensioso texto.

O que se pretende, aqui, a partir dessas primeiras considerações e desses dados ainda muito precários, não é, portanto, repetir o lugar comum, mas, antes, começar a liquidá-lo.

Para tanto, e também em razão da minha recente chegada à Universidade Federal da Integração Latino-Americana, venho desenvolvendo um interesse específico para alguns temas de antropologia latino-americana, em particular de história de alguns campos antropológicos da América Latina[2]. Com isso, não pretendo cumprir o chamamento do prof. Lins Ribeiro, inclusive e sobretudo porque, como veremos, o meu olhar se lança, prioritariamente para o século XIX. Pretendo, sim, nesta pesquisa, levantar fontes e recursos bibliográficos iniciais que sirvam de base ao desenvolvimento de um mapa das instituições (museus, faculdades, Institutos históricos e geográficos, círculos intelectuais etc.) e das personagens que, a partir dos processos de independência de alguns países da América Latina (primeira metade do século XIX), perfazem a preparação, o surgimento e a consolidação do campo de estudos da Antropologia social e cultural na Região. Nesta fase inicial, os países abordados são a Argentina, o Uruguai, a Colômbia, o Chile e o Peru, e o período considerado 1810-1930.

A Antropologia Social e Cultural, se quiséssemos insistir na metáfora bourdieusiana do “campo”, é mais, propriamente, um conjunto articulado de pequenas propriedades agrícolas, lindeiras a grandes latifúndios. Se olhássemos – cartograficamente - esse cenário de cima, enxergaríamos um panorama variegado, multicolorido, policultivado, sinuoso. Roberto Cardoso de Oliveira referiu-se, em várias oportunidades (2003; 2001) à dialética e à tensão entre antropologias “centrais” e “periféricas”, sendo que todas as latino-americanas (mas não só elas, pois há periferias também nas antropologias europeias) pertenceriam a esta última categoria. Se aqui – em rápida síntese – está um dos meus pontos de partida, também é necessário esclarecer, desde já, que às implicações topográficas das relações entre centro(s) e periferias, no caso dos campos antropológicos nacionais, também se acrescentam, do meu ponto de vista, informações e considerações sobre o tamanho relativo desses campos articulados e comunicantes. Entendo, aqui, por “tamanho”, a consequência das suas respectivas idades, lembrando, como é óbvio, que consideramos “centrais” aquelas antropologia mais “antigas”, surgidas em meados ou finais do século XIX: na França, na Grã Bretanha, na Alemanha e nos Estados Unidos, na ordem, grosso modo, cronológica. Dessa forma, considero que as antropologia periféricas (e, de agora em diante, as antropologias latino-americanas das quais pretendo me ocupar) são mais “jovens” e “menores” do que as centrais, embora tenham sido alimentadas, mediante a circulação de homens e de livros, de teorias e de práticas etnográficas, desde esse mesmo século XIX e desde a Europa e os Estados Unidos.

Em outras palavras: considero a necessidade de investigar, documentar, mapear e compreender os contextos da possibilidade de surgimento de antropologias nacionais, na América Latina, a partir das primeiras décadas do século XIX. A institucionalização dos campos antropológicos, como sabemos, é mais tardia, tendo que ser localizada nas primeiras três ou quatro décadas do século XX (com variações específicas, em alguns países, que também é necessário localizar e comprender). Dessa forma, e agora parafraseando o mestre Antonio Candido, proponho-me a reconstruir a história das elites intelectuais latino-americanas no seu desejo de ter uma Antropologia. Nesse propósito, está inscrita a hipótese pela qual esse desejo encobriu, em muitos casos, talvez em quase todos, outro desejo ou, melhor, a necessidade, de ter uma imagem, um caráter nacional, a serem construídos em forma de “narrativas competentes”. Essa hipótese possui a capacidade de obrigar o investigador a não desprezar quase nenhum discurso entre os que foram proferidos, na América Latina do século XIX, sobre os mais variados aspectos das nações que se encaminhavam e chegavam, afinal, à soberania política e à independência. Nesse sentido, assim como bem sabemos para o caso brasileiro (cf., sobretudo Schwarcz, 1993; Corrêa, 2001), assiste-se a uma progressiva aproximação de intelectuais (médicos e juristas, em primeiro lugar), “cientistas” (também médicos, além de “naturalistas” com formação variada, de acordo com as tradições nacionais e mesmo coloniais), formuladores de políticas (“engenheiros” das nações, também juristas) e instituições acadêmicas e/ou científicas, no contexto mais amplo das construcciónes de naciones, ou mesmo nation building (Cardoso de Oliveira, 2001; Peirano, 1991).

Entre os “produtos” desses movimentos de aproximação (que incluem, como é óbvio, também fases de afastamentos, silenciamentos, elipses), estão as representações, frequentemente acompanhadas de consequências cruéis, dos/sobre os “outros internos” (cf. Segato, 2007; García Botero, 2010; Verdesio, 2004; Repetto Iribarne, 2015), as práticas e as ideologias da tutela e do indigenismo, fábulas e mitos de fundação nacional, mas, também, e em direção cada vez mais contrária (ideológica e epistemologicamente), o surgimento e a consolidação de instituições dedicadas à pesquisa etnográfica e antropológica, dentro e fora dos modelos universitários mais tradicionais. Em suma, as narrativas, as práticas (discursivas, ideológicas, políticas e militares) do século XIX constituem, no meu entendimento, o contexto de possibilidade da formação das antropologias latino-americanas do século XX. Nisso, acompanho Foucault (1987, 1991), por entender que a disciplina antropológica não criou espontaneamente o seu campo de significado, mas, ao contrário, apenas deu legitimidade (inclusive acadêmica) a uma determinada articulação de significados, que transitam em outras esferas. Ela filtrou e ordenou (disciplinando, nesse sentido) discursos que a antecederam.

Na demanda urgente por classificar, descrever, ordenar e hierarquizar as várias experiências das alteridades sociais e culturais das suas nações, as elites intelectuais latino-americanas (inclusive nos momentos em que essas elites também desempenhavam o papel de elites econômicas, sociais e políticas) buscam ferramentas que lhes facilitassem a tarefa. A Antropologia social e cultural, na maioria desses países, só se configura como ferramenta adequada em meados do século XX, quando, porém, a tarefa já estava ressignificada, devido ás injunções da própria história global e regional. Assim, os retalhos teóricos e epistemológicos que, no século anterior aportaram nas várias instituições científicas e acadêmicas encarregadas de mapear as nações (como as teorias raciais, por exemplo), passariam a integrar a formação e a prática das antropologias latino-americanas, à espera da formulação de contribuições teóricas mais originais.

Assim, embora seja oportuno e urgente (como está indicado, mais uma vez, no apelo de Lins Ribeiro)  penetrar com firmeza nos séculos XX e XXI[3], não há como descartar as vicissitudes do século XIX. Nessa perspectiva, finalmente, e diferentemente do que se faria numa abordagem apenas do caso brasileiro, é obrigatório incluir nesse desenho de investigação, o campo da Arqueologia, assim como se desdobra e se apresenta em vários países da América Latina nos quais essa disciplina contribuiu, em medida igual e com teor parecido à Antropologia, na definição das narrativas às quais me referi (cf. Haber, 2004).

Parece-me muito relevante, também, um outro elemento, a justificar a urgência de pesquisas dessa natureza. A saber, a necessidade de “antropologizar” a história da Antropologia, na América Latina, à imitação do que é praticado, já há vários anos, nas Antropologias “centrais”, sobretudo a partir da produção pioneira de George Stocking Jr. E do Clifford James. Em alguns dos países da América Latina (Argentina, Uruguai, Colômbia, Chile e Peru estão entre eles) começa a afirmar-se, lenta mas significativamente, o renovado interesse pela investigação reflexiva sobre o “passado” das suas respectivas tradições antropológicas. É, aliás, a partir justamente dos trabalhos de alguns colegas ativos nesses países que as nossas próprias pesquisas, aqui no Brasil, devem iniciar a sua jornada. Entretanto, é só na Colômbia (Botero, 2009; Echeverri Muñoz, 1999; García Botero, 2010; Langebaek, 2008; Lasso, 2007; Páramo Bonilla, 2010; Lissett Pérez, 2010; Pineda Camacho, 2007; 2009a; 2009b), com mais força, e, parcialmente, na Argentina (Arenas, 1989-1990; Stagnaro, 2003; Garbulsky, 2003; Visacovsky e Guber, 2002; Podgorny, 2000), que essa tendência alcança resultados quantitativamente significativos.

Finalmente (e não num intervalo, como costuma acontecer com os “comerciais”), gostaria de mencionar uma ferramenta que, imagino, possa ajudar no esforço de localização da produção antropológica da e na América Latina. Em antropolatina.pro.br, online desde novembro de 2014, disponibilizo um instrumento que permite circular com rapidez pela Antropologia latino-americana. Imagino que estudantes e pesquisadores de várias áreas, dentro e fora da Antropologia, sentem a necessidade de ter acesso a uma produção que é muito maior, mais rica e diversificada do que uma única tradição nacional permite perceber. A intenção inicial era construir um repositório de revistas de Antropologia da América Latina. Muito rapidamente, entendemos que o campo latino-americano da Antropologia (da Antropologia Social e Cultural, mas, também, da Arqueologia, da Antropológio Biológica e da Antropologia Forense) apresenta um perfil institucional muito peculiar, que o cenário das suas revistas, sozinho, não permitiria observar. Nessa perspectiva, gostaria que Antropolatina fosse, também, um lugar virtual de comunicação, diálogo e intercâmbio entre antropólogos e estudantes de Antropologia de toda a região, inclusive com a possibilidade (a ser visibilizada em novos links, ainda em construção) de divulgar eventos, chamadas de trabalhos, concursos, seleções de cursos etc.

           

Referências Bibliográficas

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BOTERO, Clara Isabel. 2009. “El surgimiento de museos arqueológicos y etnográficos: laboratorios de investigación y espacios para la visibilidad, divulgación y exhibición del patrimonio arqueológico y de las sociedades indígenas”. In: C. Langebaek y C. Botero (comps.). Arqueología y etnología en Colombia. Bogotá: Editorial de los Andes. pp. 197-215.

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VISACOVSKY, Sergio e Rosana Guber (compiladores). 2002. História y estilos de trabajo de campo em Argentina. Buenos Aires: Antropofagía.

 

 

Andrea Ciacchi

Professor do Instituto Latino-Americano de Arte, Cultura e História
Universidade Federal da Integração Latino-Americana
Currículo Lattes

 

 


[1]A busca foi limitada a portadores do título de doutor. Também por isso, por exemplo, não entram nesta relação os alunos da graduação em Antropologia da minha própria instituição, a Universidade Federal da Integração Latino-Americana. Há, entre eles, uruguaios, argentinos, ecuatorianos, chilenos, paraguaios e colombianos. Dois uruguaios, da primeira turma de 2011, acabam de ser aprovados nos mestrados em Antropologia da UFSC e do Museu Nacional.

[2]Minha pesquisa atual, “Antropologias na América Latina: trajetórias e instituições. Fase 1” relaciona-se com as minhas atividades acadêmicas a partir do meu estágio de pós-doutorado (UNICAMP, 2005-2207), e aos meus interesses na história da Antropologia brasileira (Cf. CIACCHI, 2007).

[3]Nessa perspectiva, é muito rica a produção do mexicano Esteban Krotz (1996; 2006; 2007).

Opinião


                                                                                                  Gersem Baniwa

Universidade Federal do Amazonas

 

 

Este artigo é resultado da Conferência proferida por ocasião da 29ª Reunião Brasileira de Antropologia, realizada em 2014 na cidade de Natal/RN e organizada pela então diretoria da ABA e por meio de sua Comissão de Assuntos Indígenas sob a coordenação do Professor João Pacheco de Oliveira.  A iniciativa foi digna de louvor pela sua importância histórica no âmbito do maior evento nacional da ABA, enquanto espaço privilegiado de diálogo dessa natureza. Foi uma atitude corajosa por parte dos dirigentes da ABA em abrir espaço tão importante para membros de povos historicamente sem voz, embora seus patrimônios materiais e imateriais sempre fizessem partes de seus acervos bibliográficos e museológicos deste os primórdios da disciplina. Digo atitude corajosa, pois, depois de tanto tempo sem voz, tais representantes poderiam descarregar e desabafar todo o acúmulo de impressões sobre os três séculos de antropologização indígena. Mas meu compromisso aqui é buscar expressar um olhar sobre os desafios no campo da antropologia a partir das minhas experiências acadêmicas como baniwa antropólogo. A composição semântica baniwa antropólogo apresenta um sentido próprio para destacar que se trata de um sujeito histórico particular que se apropria das diversas e possíveis lentes da antropologia para ler os diferentes mundos: indígena e não indígena.

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OS ANTROPÓLOGOS INDÍGENAS

desafios e perspectivas

 

 

Tonico Benites

Doutor em Antropologia Social
Universidade Federal do Rio de Janeiro

 

 

A partir de minha posição de antropólogo indígena – uma conjunção de posições certamente nova para a antropologia brasileira –, gostaria de apresentar algumas reflexões sobre as funções e desafios dos antropólogos indígenas ou indígenas formados em Antropologia frente às mobilizações interétnicas e reivindicações diversas dos povos indígenas exigidas aos sistemas do Estado brasileiro. As ideias desenvolvidas aqui foram inicialmente apresentadas durante a mesa-redonda “Os Antropólogos Indígenas: Desafios e Perspectivas”, durante a 29ª Reunião Brasileira de Antropologia, onde abordei o tema das funções de antropólogo indígena no contexto contemporâneo de disputa e conflito pela posse das terras entre os povos indígenas e os fazendeiros.  Nesse sentido, é preciso dizer que estes últimos não apenas veem os estudos antropológicos de modo negativo e como sendo inúteis, mas também se constituem numa classe que passou a ameaçar e intimidar o antropólogo por realizar o estudo de identificação e demarcação das terras indígenas Guarani e Kaiowa no Estado de Mato Grosso do Sul.

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VELHOS HORIZONTES, NUEVAS MIRADAS

 

 

Andrea Ciacchi

Professor do Instituto Latino-Americano de Arte, Cultura e História
Universidade Federal da Integração Latino-Americana

 

 

Na introdução de um plano de disciplina (“Seminário Avançado em Teoria I”), para o PPGAS da UnB, em 2008, o prof. Gustavo Lins Ribeiro escrevia que “a antropologia brasileira necessita ampliar seus debates teóricos, meodológicos e políticos com diferentes perspectivas latino-americanas uma vez que somos parte dessa região do mundo”. O duplo ponto de vista dessa afirmação estava situado no reconhecimento de que na América Latina existem “dois debates dos mais elaborados”: as discussões sobre decolonialidad del poder e sobre interculturalidad. Por isso, então, o outro lado desse ponto de vista situava-se na posição mais ampla desse nosso colega, que, pelo menos desde meados dos anos dois mil, busca compreender e nos ajuda a enxergar “las antropologías del mundo” ou as “world anthropologies” (Ribeiro, 2005).

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“TERRAS DE PRETO” E “TERRAS DE ÍNDIO”, ONDE ISSO NOS LEVA?


Leila Martins Ramos

Mestre em Antropologia Social
Universidade de Coimbra

 

O objetivo deste trabalho é discutir a elaboração do trabalho dos antropológos frente às pesquisas que se destinam à contrução de laudos antropológicos para a demarcação de terras indígenas e quilombolas no Brasil. Essa discussão se inicia com um olhar sobre o contexto brasileiro no momento de validação de tal política, mais precisamente do momento de promulgação da constituição brasileira de 1998. Segundo a carta constitucional, é garantida a estes dois grupos étnicos o título de posse das terras que ocupam, mas é importane ressaltar que o espaço concedido a tais grupos dentro da constituição brasileira surgiu a partir, principalmente, da atuação de forças sociais representantes de comunidades indígenas e quilombolas.

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LXS MAYAS EN BRASIL

desmistificando xs maias em língua portuguesa

           

 

 

"La zona maya no es un museo etnográfico, es un pueblo en marcha."
Crédito: Twitter da Revista Digital Universitaria - UNAM

 

 

Thiago José Bezerra Cavalcanti

Graduado em Antropologia
Universidade Federal Fluminense

 

 

Os estudos sobre xs maias são escassos no Brasil, mas também pouco se sabe sobre indígenas “brasileirxs” na região maia da atual América Central (incluindo México). Contudo, são agravantes no caso maia a deturpação de seus calendários e a suposta profecia do “fim do mundo” em 2012.

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QUEM GOVERNA A INVASÃO BIOLÓGICA?

um problema para a antropologia

 



        Câmara Municipal de Santana do Livramento, RS (maio de 2014). Crédito: Caetano Sordi




Caetano Sordi

Mestre e doutorando em Antropologia Social
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Bolsista CNPq

 

 

O bioma Pampa, também conhecido como Campos Sulinos ou Campanha, ocupa apenas 2,07% do território nacional, mas possui importantes implicações identitárias para o sul do país. Apropriado economicamente desde fins do século XVI pelo pastoreio extensivo, é também um das paisagens naturais mais ameaçadas do Brasil, pressionado que está pelo torniquete formado pela monocultura de grãos, o reflorestamento industrial, a degradação do solo e outras externalidades negativas da ação antrópica. Apesar da sua riqueza cultural e natural, o bioma pampa é contemplado com apenas uma Unidade de Conservação (UC) Federal, a Área de Proteção Ambiental (APA) do Ibirapuitã, localizada entre os municípios de Santana do Livramento, Quaraí, Rosário do Sul e Alegrete, todos eles no Rio Grande do Sul e relativamente dependentes da pecuária de corte. Recentemente, esta APA tem enfrentado um processo de invasão biológica bastante sério, protagonizado por suídeos asselvajados da espécie Sus scrofa scrofa (javali europeu) e seus híbridos com porcos domésticos, conhecidos como javaporcos. 

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O PODER DA ARTE

novas insurgências estético-políticas em belo horizonte

 

 

 


3 Anos de "Praia" - Foto: Priscila Musa
 

 

 

João Paulo de Freitas Campos

Graduando em Ciências Sociais
Universidade Federal de Minas Gerais
Bolsista do Programa de Educação Tutorial (PET - Ciências Sociais - UFMG)

 

 

Nos últimos anos o Brasil tem sofrido profundas transformações políticas, tanto na esfera oficial do poder quanto nas formas de mobilização e associação das pessoas em movimentos sociais, grupos de reivindicações específicas e, last but not least, mobilizações artísticas insurgentes. Essas manifestações se apresentam como performances que animam uma “política de presença maciça e unificada” – para lembrar os termos que Diana Taylor emprega em sua análise do cenário político instaurado no México após as eleições de 2006, fortemente marcado pela participação democrática performática em seu devir processual (Taylor, 2013: 148).

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